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Explosão Sensorial

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  Fascinada pela orgia visual da multiplicidade cromática a néon, abriu os braços e libertou-se na infinda sedução da cidade notívaga.

Jesus dos Subúrbios

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  Descobri Jesus, está vivo e bem de saúde, a sua morte foram fake news e mais falsos foram os mandamentos do seu pai.  Habita nos subúrbios e obedece aos mandamentos da mãe…  - Lava a loiça, arruma os pratos, se te masturbas na casa de banho, ao menos aponta para a sanita…  Jesus está vivo e tem dois gatos, o tico e o teco, que comem amendoins enquanto ele fuma uma ganza de relva enrolada…  E obedece aos mandamentos da mãe…  - Vê se arrumas a merda do quarto e larga o tubo de cola, senão ainda colas o cérebro.  Jesus vive nos teus subúrbios! 

Papoilas de Sangue

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  Orgulhosos exércitos colidiram numa chacina sem estandartes. O sangue derramado pintou os prados a escarlate, relembrando infindos campos de papoilas!  

Deixa-te de merdas

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  — Rodolfo, deixa estar isso, eu pago. — disse ela, pegando na conta que o garçon tinha deixado em cima da mesa virada para o seu marido. — Mas Júlia, está toda a gente a olhar. — Que olhem. — E vão começar a comentar, vou ser o palhaço que nem consegue pagar o jantar à mulher. — Não é questão de não conseguires, mas eu ganho quase o dobro de ti. — E eu não sei? Eles lembram-me disso todos os dias, a gozar com a minha cara… — responde em desânimo. — O quê? Não me digas que és como o Vitor? Lugar de mulher é na cozinha, é isso? — Não… — se pudesse ter um lugar para se enterrar, Rodolfo enterrava-se. — mas às vezes gostava de ter mais respeito deles. — Daqueles merdas? Que acham que a esposa é uma mulher a dias? E depois vão para os bares bater couro a crianças? O pá… deixa-te de merdas.

Primordial

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  Deslumbramento pelas vozes que ouve e rostos que não contempla. Neste instante o ser encontra-se em formação, o milagre da criação explanado tanto pela ciência como pela teologia, a flutuar na vastidão do liquido amniótico. Aqui é o universo, todas as galáxias, constelações, estrelas, planetas, santuários; nesta bolsa existencial, longe dos paradigmas universais do espaço tempo. Cá subsiste apenas lugar para ele, proteção, carinho, amor… o primeiro dos amores, do qual jamais quererá fugir, a união por um cordão umbilical, a irmanação de duas almas que nesse instante, nessa eternidade em contagem decrescente, são apenas uma. Poderá a magnitude celestial e até mesmo a terrena apelidá-lo de parasita, uma entidade a coabitar com o seu hospedeiro, e em tudo estará essa infinda grandeza errada, pois falta-lhe o conhecimento do que é o amor, a partilha de um momento que se perpetuará para além dos oceanos da memória. Mas ali, o ser já em consciência, detém o conhecimento d...

...Perdida

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    — Lança, vá, atira essa merda. Gustavo observava-a pasmo, embora o olhar estivesse turvo, a audição parecia melhorar a cada segundo que passava. Tinha a certeza que em toda a sua vida, jamais tinha ouvido palavrões a surgirem da boca de Catarina. Ela ria, e contemplava a ria que iria desaguar algures, nem tinha a certeza de ser uma ria, isto é… tinha água, tinha erva nas imediações, poderia ser apenas uma ribeira, um riacho, a saliva de Gaia, mas enfim, hoje ela ria na ria. — Vá Gustavo, mexe esse cu gordo e atira o calhau, quero ver se consegues tantos ressaltos como eu. O rapaz, catraio ainda, mirou a água e a pedra que tinha nas mãos, atirou-a ao ar para lhe tomar o peso, sentiu uma pontada na mão esquerda, naquele local exato onde o estúpido do irmão o tinha mordido de manhã, e arremessou-a para trás. — Esta não, é muito pesada, espera — murmurou, sentindo a garganta seca, áspera, quase sem reconhecer as próprias palavras. A mão libertava um pus, que tingia a ligadura ...

Inocência...

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  — Lança, vá, atira essa merda. Gustavo olhava pasmo, na sua vida nunca tinha visto Catarina a usar palavrões. Ela ria, e contemplava a ria que iria desaguar algures, nem tinha a certeza de ser uma ria, isto é… tinha água, tinha erva nas imediações, poderia ser apenas uma ribeira, um riacho, a saliva de Gaia, mas enfim, hoje ela ria na ria. — Vá Gustavo, mexe esse cu gordo e atira o calhau, quero ver se consegues tantos ressaltos como eu. O rapaz, catraio ainda, mirou a água e a pedra que tinha nas mãos, atirou-a ao ar para lhe tomar o peso, e arremessou-a para trás. — Esta não, é muito pesada, espera. Vasculhou as margens em busca de um seixo mais leve, liso, algo que flutuasse como uma pena ao vento, ela era a sua namorada desde a primeira classe, e agora, nos seus oito anos mal feitos não queria ficar envergonhado perante a menina de trancinhas negras. Finalmente encontrou-a, era perfeita, tinha o tamanho exato do seu carro de policia que estava junto aos soldados d...

Após a Batalha

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  Sozinho na única ponte de acesso, encontrava-se o Mago Guerreiro, conhecido por Amans Caelis, o amante das estrelas. À sua frente, uma pilha de cadáveres, a batalha tinha sido brutal. Atrás dele, a cidade de cristal ardia, o inferno na terra, nuvens de fumo erguiam-se aos céus, obstruindo o sol. Montou o alazão branco e partiu rumo a ela. Existia uma cortesã em apuros, sendo ele o único capaz de a salvar. — Vou a caminho, amor.   (Existem umas crónicas nas quais tenho que trabalhar.)

Entre Invisiveis e Assassinos

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  O guerreiro tombou naquela noite, as luzes da cidade apagaram-se, ela exalou o definitivo sopro de vida, tornando-se ele uma estrela sem cintilo. Passou os anos seguintes em busca dos assassinos, imiscuiu-se no submundo, entre mendigos e meretrizes, tornou-se um invisível. Caçou-os um a um, abateu-os, espalhou cadáveres nos esgotos e lixeiras do mundo sob o mundo. Finalmente o ultimo dos conspurcadores jazia no chão, afogado no próprio sangue. Limpou o rubro da adaga, colocou a derradeira rosa branca na boca dele, mas a sua amada continuava morta… uma lágrima brotou-lhe da memória:  — Desculpa amor, não fui rápido o suficiente.  

Seduz-me

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  — Seduz-me! Pronunciou ele em voz baixa, nu na nudez do seu quarto. À sua esquerda repousava um revolver com apenas uma bala no tambor, na direita mil espinhos de uma rosa… as pétalas jaziam inertes no chão, numa carpete azul, como deusas celestiais chacinadas à entrada do paraíso. — Seduz-me! Pronunciou ele enquanto se levantava nu da sua cama despida, à sua frente um espelho partido e mil memórias fragmentadas. No corredor uma bala iniciou o seu percurso, atravessou a porta e atingiu-o, enquanto na cidade o néon gritava: — O rei vai nu! O príncipe do submundo morreu. — Odeio-te! Pensamento final.