— Lança, vá, atira essa merda. Gustavo observava-a pasmo, embora o olhar estivesse turvo, a audição parecia melhorar a cada segundo que passava. Tinha a certeza que em toda a sua vida, jamais tinha ouvido palavrões a surgirem da boca de Catarina. Ela ria, e contemplava a ria que iria desaguar algures, nem tinha a certeza de ser uma ria, isto é… tinha água, tinha erva nas imediações, poderia ser apenas uma ribeira, um riacho, a saliva de Gaia, mas enfim, hoje ela ria na ria. — Vá Gustavo, mexe esse cu gordo e atira o calhau, quero ver se consegues tantos ressaltos como eu. O rapaz, catraio ainda, mirou a água e a pedra que tinha nas mãos, atirou-a ao ar para lhe tomar o peso, sentiu uma pontada na mão esquerda, naquele local exato onde o estúpido do irmão o tinha mordido de manhã, e arremessou-a para trás. — Esta não, é muito pesada, espera — murmurou, sentindo a garganta seca, áspera, quase sem reconhecer as próprias palavras. A mão libertava um pus, que tingia a ligadura ...