Quatro estações
Inverno De novo Bóreas saiu da sua caverna, trouxe com ele o Inverno. Refugio-me numa cabana perdida algures na floresta da memória, sento-me junto à janela, ouvindo a madeira a crepitar enquanto é consumida pelas chamas, e apercebo-me da carência de sons, a ausência dos pássaros, das cigarras. A morte foi anunciada pelas geadas, guiada pelo sopro do norte. Fecho os olhos, escuto os rugidos bravios do vento a passar no arvoredo, como um semideus em fúria, tombam as árvores e com elas um pedaço da minha alma. Oiço a chuva a desabar dos céus ao som dos trovões… adormeço. Primavera E eis que Zéfiro surgiu então, vindo de oeste, é altura de renascimento, é o tempo de primavera. Aqui as flores germinam, trasbordando sensualidade nos seus perfumes, os odores da floresta mutaram-se, cheira a musgo e a vida, os rios descongelaram libertando deles os aromas aprisionados pelo inverno. A vida selvagem ressurgiu da sua hibernação, sinto as fragrâncias de pelos e pen...