o contador de histórias
Uma da manhã, nos céus uma lua cheia iluminava a vastidão cândida do areal numa praia escondida nos confins da memória, acompanhada por miríadas de pontos luminosos… constelações em constante mutação. Uma cavidade irradiava um brilho alaranjado, era cálida a areia naquele local, cheirava a pinheiro que ardia lentamente na fogueira, entre os característicos estalos de madeira a abrasar, e se mesclava com o aroma salgado do mar… Junto à linha dessa imensidão aquosa, naquele exato ponto onde as ondas findam e iniciam o seu retorno para as profundezas do oceano estavam duas pessoas deitadas, a contemplar a magnitude do universo. — Quantas civilizações achas que estão lá em cima neste momento? — perguntou-lhe ele, com a voz rouca enquanto dava um último bafo no cigarro, e enfiava a beata dentro da garrafa de vinho vazia. Ela piscou os olhos, como se não tivesse entendido a pergunta, e desviou-os para ele, para a sua face impecavelmente barbeada, “porque o teria feito, ele que semp...