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Arestas

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  “As minhas arestas são limadas pela consciência, pela alma. Para não ferir. Não deixo de ser em bruto com cantos arredondados.” As minhas palavras são floreadas com cheiro a vendaval, trazidas na chuva, desenhadas em tinta sobre papel. Letras definidas e estudadas, por vezes simplesmente atiradas sem mais olhar para trás, no temporal restaram apenas as promessas que nunca foram ditas e os afetos que não foram sentidos. O espírito descansa, respira, grita e extravasa tudo o que lá está, por vezes na tinta, outras em pensamento, na memória fica o que jamais será professado… e na cicatriz a dor do que ficou por falar. As minhas arestas são limadas pela consciência, e a consciência guiada pelo coração, e na globalidade dele, na junção dos dois, sei que te amo… só não sei se te mereço!

Reflexo do meu reflexo

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 Vou-me focar agora em ti, toda a minha atenção voltada para o bater ritmado do teu coração. Vou-me focar agora em ti, todos os meus dedos a percorrerem integralmente a tua pele, doce e lentamente… Vou-me focar agora em ti, perder-me na suavidade dos teus cabelos, e continuarei a focar-me, sentir o aroma do teu âmago, e irei mais fundo, para alem do corpo, para lá da alma… Vou-me focar em ti, nadar no teu olhar, e buscar… Buscar o que se perdeu, que sei estar lá, só não sei ainda como encontrar. Mas prometo, reflexo do meu reflexo, que não pararei… Vou-me focar, relembrar o sorriso, e focar-me-ei em ti.

Na cabana

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  O vento rugia ferozmente entre as árvores do bosque. No seu centro existia uma cabana de madeira, tudo aqui era lenha… viva e morta… da sua chaminé mais achas saíam em formato de fumo e dissipavam-se na fúria de Eolos. Ela repousava nua no seu colo, longos cabelos castanhos em formato de canudos, olhos fechados e um sorriso nos lábios, ouvindo o crepitar hipnótico da lareira que os aquecia, dois copos de vinho esquecidos na mesa, e os momentos de paixão na memória. — Queria que o mundo parasse! — sussurrou docemente! Tic-tac, tic… Cronos suspendeu o tempo, e imortalizou o momento.