Vida Anagramada!

 

 

Foi apenas o iodo anagramado que o levou ao vizinho pódio. 
A demência cheia de sonhos e a cabeça de ópio, o fígado repleto de feridas profundas, na forma tentada de tumores, oferendas do seu melhor amigo, o grandioso e omnipresente baco. 
Tudo o que precisava no momento era dormir, deixar-se ir, amanhã seria melhor, mas não… não conseguia, queria enfiar o punho bem fundo no monitor, sentir-lhe as entranhas esvaírem-se em sangue, se é que os ecrãs sangram… queria arrancar-lhe o coração e comê-lo de uma vez só, engolir aquela porra sem sequer mastigar. 
Desejava que a sua vida não fosse um anagrama, contudo as letras há muito que tinham perdido o sentido, era impossível voltar atrás, e ele sabia-o na perfeição, a sua existência tornou-se num anagrama sem solução. 

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