Até Breve
Através da janela junto à asa ele vislumbrava e deleitava-se com tudo o que surgia perante os seus olhos, parecia um sonho como aqueles que assolavam a sua infância, onde caía sem parar, embora desta vez flutuasse.
O rio de um azul incomparável, atravessado por uma ponte e todos aqueles carreiros de formigas que se dividiam por entre as casas, pareciam pequenos blocos de lego a esta distância. Os carros e camiões sem parar, seres minúsculos, atarefados a colocar Lisboa em funcionamento.
Todas as peças são importantes neste quadro da vida. No final da ponte conseguia distinguir o guardião de braços abertos, Rei soberano na eternidade do momento.
Ao longe, na vastidão, ínfimos fiapos de nuvens moviam-se preguiçosamente, embalados pela brisa que ele quase jurava passar pelo seu corpo e acariciar a sua pele, mesmo estando vestido com o melhor dos fatos.
Ao voltar de novo a atenção para baixo, para o mundo que conhecia, via os verdes e o castelo, as colinas e o jardim. A meio do rio um barco, pequeno aos seus olhos, embora soubesse o quão majestoso o mesmo seria visto de perto. Fechou os olhos para absorver mentalmente toda a informação, enquanto uma assistente de bordo passava com o café, inundando o momento com o seu aroma singular e lembrou-se de uma musica antiga:
“Lá em cima há um céu de cetim
Há cometas, há planetas sem fim
Galileu teve um sonho assim
Há uma nave no espaço a subir passo a passo”
Sorriu, e embalado na melodia adormeceu!
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