Olhar a dentro
Saborear o momento, sabes?
Impregnares-te do universo através dos
sentidos, o vibrante das tonalidades numa floresta ao fim do dia, a
ressonância que o vento concebe ao passar pelas folhagens e o seu toque
suave e frio na pele.
O odor de um cosmos em perpétua mutação e a cinesia de todos os seres neste plano astral.
Mantém
os olhos fechados, eleva-te, torna-te a estrela da manhã, ou, se
ousares, vai mais além… sê o sol neste mundo, o teu mundo.
Conscientiza-te de tudo o que te envolve, no fundo do âmago sabes ser uma pechincha, mesmo que o preço a pagar seja a alma.
Agora
volta-te para ti, deixa-te transportar pela respiração pausada, o fluir
do sangue em constante movimento no corpo… o teu templo.
Conhece-te e
reconhece-te ao mais ínfimo detalhe, inspira e expira ao ritmar do
coração, quebrado ou inteiro ele tem a sua cadência própria.
Os pelos erguem-se ao sabor do toque… e abres os olhos.
Inalas
o odor de pinho a arder na lareira, contemplas a sala e sentes o travo
doce do vinho… tudo está bem, este é o teu local seguro.
Mas, sem alguém com quem o partilhar, qual o seu fim?

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