Maré de Fantasmas

 

Parei, parei no tempo da memória, agarrado a fantasmas do passado.
Dediquei-me a eles, cultivei e amei-os a todos num só, criando tempestades de paixão, criando tempestades de vazio… E esse deserto veio até mim, tudo se tornou cinza, tudo se tornou laranja, fogo que ardia num mundo que adornei com uma coroa de espinhos.
Cravou-se a chaga no meu peito inspirei uma ultima golfada de ar a saber a ferro, sangue do meu sangue a gorgolejar na incólume garganta.
Gritos mudos lançados na infinita vastidão do vazio.
Libertei-me nessa chaga em dor, sangue e lágrimas.
Deixei-me simplesmente ir…
ao sabor da maré destes fantasmas!

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