Os seres da montanha
Sentou-se então o homem no topo da sua montanha, contemplando os bosques e rios a seus pés.
— Olá velho mundo!
Sentou-se então a mulher no topo da sua montanha, contemplando os bosques e rios a seus pés.
— Olá velho mundo!
Sentou-se
então o… não, mais ninguém se sentou, as montanhas estavam preenchidas,
separadas pelas matas e riachos, criaturas mágicas, místicas aragens,
dentes de leão a flutuar, frutos de paixão intocados e contos de fada
por contar.
Eram virgens os bosques e refrescantes os rios, era amena a temperatura e apaixonante o toque.
— Posso-te amar hoje? — perguntou o homem ao ar na esperança que as palavras fossem levadas pelo vento.
E quando as falas chegaram ao topo da montanha onde a mulher meditava, o hoje já tinha passado, e era simplesmente um ontem.
— Já me amaste ontem, poderás amar-me amanhã, mas hoje… hoje temos os bosques e rios que nos separam. — Cantou ela à brisa.
E
no amanhã saltaram do topo da sua montanha para o flume, foram levados
na direção um do outro pelas correntezas, corpos nus revestidos apenas
de alma… encontraram-se enfim os seres da montanha naquela praia
fluvial, margem deste ribeiro, rodeados de jasmim, rodeados de ti e de
mim.

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