A menina da esquina!
Perdeste-te, perdeste-te na esquina
entre o tasco e o carrocel,
entre o vinho e o brandy mel…
quem anda à chuva molha-se, menina.
Agora és como uma agulha num palheiro,
tentando encontrar a inocência perdida.
Outrora tinhas sonhos, doce rapariga,
Hoje tens homens, mas nenhum companheiro.
Resta-te unicamente a esquina que te consome,
Resta-te o corpo, o falso sorriso e a aparência…
Restam-te as lágrimas sem ser de crocodilo, a carência…
E todos os homens que em ti se vêm, insaciáveis na sua fome.
E o que te falta? Falta-te o sonho, falta-te o mundo,
Dizem que quem tem boca vai a Roma,
mas a tua boca está ocupada na esquina em seu pútrido aroma,
e no final cospes o prazer dos homens no chão imundo.
Com o nascer do sol regressas a casa, dormes com a lua,
Viajas para o momento onde foste feliz,
Sentes o cheiro da comida da avó, no sonho sorris…
enquanto o corpo repousa nu, nessa cama só tua

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