Para proteger e servir - Aprendiz de anjo
— Disputa — Samuel parou momentaneamente o seu discurso, tirou a mão do volante e passou pelo queixo como que em busca de uma memória esquecida, sempre com o olhar acastanhado preso nos faróis do veículo da frente. — Sim, mais ou menos foi isso que aconteceu naquela altura. Jéssica seguia a seu lado hipnotizada pelo discurso, as ondas celestiais cintilavam e a cidade era rubra, estrelas nasciam e morriam longinquamente, e naquele veículo seguiam apenas eles, protetores de cidadãos abandonados por Deus, anjos sem asas numa cidadela pecaminosa. — Mas, como terminou? Hoje em dia não vemos disputas selvagens a acontecer, a cidade parece dormente — enrolou os cabelos negros com o dedo da mão direita. — Isto pode parecer doido, mas esta povoação, isto aqui que jurámos proteger e servir parece ser um dragão a acordar. — Isso é o mais estranho, Jéssica, ninguém sabe o que se passou. — Abriu pisca para a esquerda, e entrou na avenida, notando um símbolo draconiano numa parede. — Simplesme...