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Para proteger e servir - Aprendiz de anjo

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  — Disputa — Samuel parou momentaneamente o seu discurso, tirou a mão do volante e passou pelo queixo como que em busca de uma memória esquecida, sempre com o olhar acastanhado preso nos faróis do veículo da frente. — Sim, mais ou menos foi isso que aconteceu naquela altura. Jéssica seguia a seu lado hipnotizada pelo discurso, as ondas celestiais cintilavam e a cidade era rubra, estrelas nasciam e morriam longinquamente, e naquele veículo seguiam apenas eles, protetores de cidadãos abandonados por Deus, anjos sem asas numa cidadela pecaminosa. — Mas, como terminou? Hoje em dia não vemos disputas selvagens a acontecer, a cidade parece dormente — enrolou os cabelos negros com o dedo da mão direita. — Isto pode parecer doido, mas esta povoação, isto aqui que jurámos proteger e servir parece ser um dragão a acordar. — Isso é o mais estranho, Jéssica, ninguém sabe o que se passou. — Abriu pisca para a esquerda, e entrou na avenida, notando um símbolo draconiano numa parede. — Simplesme...

Vida Silenciada

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  Esmagamento da alma, do ser, da essência que nos cria e dá a forma da nossa aparência intelectual, o físico esmoreceu, o cansaço apoderou-se e a apatia é a minha melhor amiga. Entrada número um: Querido amigo, faço hoje trinta anos, tenho um bolo e um olho negro, um cálice de vinho a saber a amargo e dores nas pernas. Sinto saudades de casa, do agricultor argentino de barba farta que me fazia rir noite após noite, senhor meu pai que troquei por um taxista, partindo em busca de sonhos e ilusões. Agora estou sentada no pórtico de casa com esta caneta azul e o caderno que estreei, a lua encontra-se cheia, já não me recordo dela de outra forma, brindo a mim mesma, sozinha, iluminada por ela e acariciada pelo vento, enquanto a grafonola grita energeticamente ‘blues’ intemporais. Se me perguntares pelo meu marido, não te sei responder, partiu enquanto preparava o jantar, duvido estar acordada quando ele chegar; mais um aniversário sem ninguém, excetuando tu, e a criança que me pontapei...

Deixe-me transbordar

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      Hoje não trago contos, nem poesia, apenas uma imagem.  Obrigado a todos os que me seguem, mesmo aqueles na escuridão.

O monstro que vocês criaram - O nascer de um império

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  Imagem perfeita, uma rosa numa campânula de vidro, a redoma imaculada para a proteger da insanidade; a sua delineação ocupava a porta na totalidade, aqui foram criadas mentalidades, desenharam-se e coseram-se ódios num fogo lento. Do outro lado da porta repousava ela, no seu descanso eterno, a dançarina das labaredas do tempo, o porto de abrigo de um marujo sem rumo, o seu farol na neblina que se mantém e jamais dissipa, a recordação do seu caminho quando se sente perdido. Felício contemplava o desenho que concluíra faz muitos anos atrás, buscou a chave, colocou no buraco da fechadura e girou, no silêncio dos corredores ouviu-se o estalido das engrenagens internas da tranca do seu mundo privado, e eis que ela se escancarou para si. *** Ao chegar ao fundo do corredor a labareda começou a subir escadas, e ele sempre atrás dela, a sua donzela perdida, consumida em chamas, dissolvida em cinza e reerguida na alma dos dois. — Atenta-te ao número de degraus, Felício. — A voz era doce, m...